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FRANCZERO

Não há diagnóstico, apenas atualizações

Tenho horror ao espaço branco. Todo o processo criativo desta série parte dessa premissa. A minha primeira abordagem consiste, através de uma fúria despreocupada, ocupar, num jogo sem limites de experimentação plástica, o espaço de trabalho. Prossegue um tempo de reflexão. Na contemplação dos resultados obtidos, procuro um contexto que me permita reconstruir e reorganizar cada parcela resultante do conflito de paradigma entre a imagem e a sua representação através da ironia e da jocosidade. É na alusão de existir que muitos se apressam em criar formas de nos projetar num sistema binário e hiperligado. As obras apresentadas resultam de uma reflexão sobre a existência digital, sobre as frações de um “eu” inconsistente que se revela apenas através do efeito sistémico das ações produzidas (programadas) em sites/apps. Incorporei elementos que identificam o site/app por parte de usuários, para contextualizar parte da narrativa e apropriar-me da forma resultante, materializando de forma icónica/irónica uma leitura com vários graus de entendimento. Ilustro o vínculo existente, entre o social e o íntimo, na sua relação com a “verdade” (in)temporal. Delego ao observador a responsabilidade de conectar todos os pontos das obras através da experiência de cada um e da relação dos mesmos com a lógia intrínseca de cada site/app. O todo é interpretado de forma distinta da simples soma das suas partes.